SETENTA, 2008

SETENTA, Jussara. Do Corpo-Sujeito ao Corpo-Institucional. IN; O Fazer-Dizer do Corpo: dança e performatividade. Salvador: EDUFBA, 2008 (pp. 53-80)

  • O corpo, ao dançar, configura uma ação que implica em seu próprio pensamento, e pensamento, no sentido aqui empregado, não se refere a um pensamento sobre, como se pensar fosse se debruçar sobre algo que está fora do corpo. (p.55)
  • … a razão não está fora do corpo, … (p.55)
  • O que aparece como movimento performativo, é pensamento desse corpo, pois cada ação motora de dança se constitui como uma espécie de pensamento.  (p.56)
  • Sendo a dança um fazer-dizer, seu processo de criação se dá através de mediações que acionam encadeamentos corpo-ambiente. (p.56)
  • Se construído performativamente, o fazer artístico vai contemplar e aproveitar as experiências e observações das condições de se estar no mundo e propor outras possibilidades de relacionamento e comprometimento com o processo de construção artística. (p.56)
  • Se se concorda que um processo de criação é intersubjetivo, e que nele ocorrem processos de apropriação e transformação, então não se pode pensar que esse processo seja produzido por um sujeito exclusivo, e sim por um sujeito atravessado, contaminado e modificado pelo próprio processo de exposição e diálogo. (p.58)
  • Modos de aproveitar, aproximar e questionar pensamentos adotados na organização e construção da fala da dança contemporânea performativa propõem processos interrogativos e geradores de tensões acerca da produção da realidade do artista na sua obra, na materialidade do corpo que é sensação e ação. Um artista que é sujeito-agente desse processo age na emergência e decide na incerteza. (p.59)
  • A intersubjetividade presente na organização da fala está engajada numa troca complexa que permite a passagem, a agência do self e do outro, e dá base para a existência de sujeitos-agentes que movimentam a exploração e a investigação num processo criativo. Uma agência-corpo (embodied). (p.61)
  • O processo de constituição do sujeito se dá num espaço de agência onde traços e referências dos dois ambientes (corpo e cultura) estão conectando pedaços, partes, fragmentos de inúmeras informações, um do outro, que vão organizando a fala no corpo, um corpo atravessado por experiências distintas de idas e vindas, expressando o pensamento crítico e reflexivo. (p.61)
  • As experimentações rumam para um processo de investigação muito aberto. Não se trata de uma situação sem exercício de poder, mas de um ambiente onde também seja possível o acolhimento das diferenças que fazem parte de qualquer processo de construção e produção de conhecimento. (p.63)
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