SPANGHERO, 2011

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SPANGHERO, Maíra. Tecnologia para entender dança: as notações coreográficas. Revista Moringa – artes do Espetáculo; João Pessoa: v.2, n.1, p.71-80, jan./jun. de 2011.

Resumo: A proposta deste artigo é destacar o papel que os sistemas tecnológicos desempenham nos processos cognitivos constituintes aos atos de criação e compreensão de dança através de uma das mais tradicionais e importantes formas de registro: as notações coreográficas. É o primeiro de uma série que aborda a tecnologia (analógica ou digital) como ferramenta para compreensão da dança, seja por parte do público, seja por parte do criador, bailarino ou coreógrafo.

Palavras-chave: notação coreográfica, dança, tradução.

 

  • A dança possui, como condição de existência, uma propriedade muito especial: a transitoriedade. Característica constituinte de sua especificidade artística, a dança – como as demais artes do corpo – só existe enquanto acontece e, assim, vai anunciando seu desaparecimento.  (p.71)
  • Desse modo, qualquer pessoa que tenha assistido a uma apresentação vive uma experiência estético-cognitiva e a carrega adiante através de diferentes tipos de rastros e registros. (p.71)
  • As mídias, por sua vez, surgem de acordo com o contexto histórico, tecnológico, social e político em questão, no entanto todas elas possibilitam, cada uma ao seu modo e com suas características, a continuidade da dança para além dela mesma. (p.71)
  • Além disso, todos esses documentos residuais (em maior ou menor escala) podem detonar novos processos artísticos e, certamente, possibilitam remontagens, reconstruções e recriações de uma determinada obra, entre outros tantos processos tradutórios. (p.72)
  • Esses modos de continuidade estão submetidos à ação da evolução numa complexa política de relacionamentos. Basicamente, a transmissão de uma informação se interrompe se não conseguir se adaptar às contingências do ambiente onde chegou ou se encontra – ou, ao contrário, a informação continua viva por se transformar, o que implica em negociação com seu contexto para amoldar-se, muitas vezes a duras penas. (p.72)
  • O meme, conceito inicialmente definido pelo neodarwinista Richard Dawkins em 1976, como a unidade mínima de informação cultural (o gene é a unidade mínima da informação biológica) é o replicador da memória cultural, na medida em que se dissemina pulando de um cérebro para outro, além de aparecer implementado em fenótipos estendidos (uma dança, uma roupa, uma conversa, uma notação). (p.72)
  • Segundo Francis Heylighen (1998), “um padrão de informação, contido em uma memória individual, que é capaz de ser copiado para outra memória individual”. (p.72)
  • O poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2003) – transcriação – inscrição da diferença no mesmo  (p.73)
  • A mídia (nesse caso entendida como “suporte”) – onde a informação-dança é inscrita –, como foi dito, acompanha as evoluções de seu tempo e junto com o que é escrito (a escrita, ela mesma, uma outra mídia, agora tomada em outro sentido) e de que maneira, remete não somente a um contexto que é artístico, mas também estético, histórico, social e científico. (p.74)
  • No Brasil, existe a experiência pontual de Analívia Cordeiro, o “Nota-Anna”, um sistema desenvolvido para a escrita eletrônica do movimento, baseado no método Laban. (p.76)
  • Um sistema de notação, ao invés disso, cria uma espécie de código cuja aplicabilidade é menos restrita. Alguns pesquisadores têm proposto classificações ou categorizações para diferenciar os diversos tipos de notação – que é uma prática recorrente durante o processo de criação, por colaborar sobremaneira com a organização dos materiais coreográficos e permitir ao coreógrafo, diretor e bailarinos o estudo, o registro e a recriação/remontagem, encadeando processos de transformação da informação. (p.78)
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