Foucault e o cuidado de si

MIRANDA, Wandeilson Silva. Foucault e a questão do sujeito: as tecnologias do eu e a criação novas subjetividades. Revista Fenomenologia & Psicologia, São Luís, v.2, n.1, p.19-34, 2014.
  • O sujeito é concebido por Foucault não enquanto uma substância, antes uma forma, porém essa forma deve ser pensada enquanto uma variável, um contorno flutuante, sempre remodelado a partir das forças que entram em jogo com as linhas dessa forma-Homem. Numa clara alusão ao questionamento nietzschiano Foucault coloca em suspenso os valores estabelecidos de um sujeito universal e racional e a desconstrução do sujeito como dado pré-existente. (MIRANDA, 2014, p.20)
  • Nas análises do poder, do saber e da ética Foucault estabeleceu três modo para se pensar o sujeito: sujeito objetivado pelas disciplinas e instituições, um sujeito fundamentado por um discurso de verdade, e por fim, um sujeito das práticas subjetivantes, pelo qual ele se torna sujeito de si para si. Estes três modos de análise constituem as relações do sujeito com o mundo; com as coisas; com a enunciação; com os outros e sobre si. (MIRANDA, 2014, p.21)
KOVALESKI, Douglas Fracisco. “Tecnologias do  eu” e cuidado de si: embates perspectivas no contexto do capitalismo global. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, V.3, n.6, p.171-191, 2011.
  • O poder é onipresente. Não porque tenha a capacidade de agrupar tudo em sua unidade, mas porque se produz a cada instante, em todos os pontos, ou melhor, em toda relação entre um ponto e outro.
  • Tecnologias que permitem aos indivíduos efetuar por seus próprios meios um certo número de operações sobre seus próprios corpos, suas próprias almas, seus próprios pensamentos, sua própria conduta e o fazem de modo que se transformam a si mesmos, modificando-se para alcançar certo grau de perfeição, felicidade, pureza ou poder (FOUCAULT, 1990, p. 48)
  • Tecnologias do eu (estabelecimento de um conjunto de atitudes sobre si, sobre seu corpo e sua alma, para obter transformações sobre si com a finalidade de atingir um certo grau de felicidade, pureza, sabedoria ou imortalidade) (FOUCAULT, 1990, p.48).
  • Entre as práticas cotidianas dos gregos é bastante relatada a do exame de consciência, ao final do dia, quando tudo que foi feito era relembrado e avaliado, para perceber a diferença entre o que foi feito e o que se deveria ter sido feito naquele dia, para não incorrer nos mesmos erros no dia seguinte. Esse exame de consciência envolve o relatar para si ou para outros coisas do seu íntimo. Uma confissão que buscava a tranquilidade e a leveza de espírito. Confessar-se a si ou aos outros que tornaram-se essenciais na constituição do modelo biomédico (é preciso mostrar suas feridas para serem tratadas, abrir a boca para tratar os dentes), no modelo jurídico (estabelecimento da verdade a partir do testemunho) e na moral cristã (confissão).
  • Para o pensamento grego da época, a ascese, que permite ao indivíduo constituir-se como sujeito moral, faz parte integral do exercício de uma vida virtuosa, a vida do homem livre no sentido pleno, positivo e político do termo. Princípio bem menos importante na atualidade, pouco presente nas práticas da vida contemporânea. O ocupar-se de si ganha gradativamente um outro sentido, mais mundano, e um papel secundário, enquanto a produção material da vida passa a ocupar a prioridade. Os indivíduos, de uma maneira geral, têm dificuldade em ver-se como sujeitos de si.
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