(QUEIROZ, 2010) Ações bases da corporalização / embodiment BMC para performance

QUEIROZ, Clélia F. P. Ações bases da corporalização/embodiment BMC para performance. Anais: VI Congresso de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas- ABRACE, 2010.
  • O conceito clássico de motricidade presente nos modelos computacionais de cognição aliava input à recepção e output à ação (programa motor), processos em separado para ambas as vias. A grosso modo, “os impulsos sensoriais trazem uma versão pobre do fenômeno e percorrem os nervos até o sistema nervoso central como input; no cérebro, a construção interna da representação mental deste estímulo promove o enriquecimento de seus atributos, processando-o e devolvendo-o na forma de output” (KAMP, 2000 apud QUEIROZ, 2009). Assim, aos proprioceptores resta a função de reconhecimento e identificação para controle do equilíbrio, um indicador do status da máquina.
  • Parte dessa outra história começa a ser travada com as evidências de que a percepção não é isoladamente a recepção de entrada via sensorialidade, mas ela é o conjunto de atividades sensoriais e motoras com as quais o organismo constrói suas experiências. Não é somente a partir das respostas motoras que se dão ações, elas se principiam bem antes, já na percepção, não somente receptiva, produtiva. Informação que se interioriza auxiliando o organismo no reconhecimento de sua relação e a sua posição no espaço faz mais que favorecimento ou controle de equilíbrio, ou ainda indicar um status. A propriocepção reatualiza as condições em que esse corpo se encontra no espaço, informando em fluxo contínuo aspectos como eixo, pontos e campos de força postos em relação, que estruturam a percepção de apoio, suporte e mudanças do organismo no espaço tempo. Isso implica nas reacomodações de transferência e distribuição de peso no corpo que dança, por exemplo.
  • Para passar a entender percepção como ação, tem-se como premissa o corpo como eixo principal da cognição.
  • A propriocepção e a cinestesia constituem informação que se interioriza auxiliando o organismo no reconhecimento de sua relação e a sua posição no espaço; fazem mais que favorecimento de equilíbrio, ou indicar um status. Assim, os proprioceptores são encarregados da informação que vem de fora, bem como de dentro, em continuum online e em tempo real auxiliando o organismo em relação a sua posição no espaço, reatualizando dinamicamente.
  • De acordo com a criadora do BMC, Body Mind Centering, Bonnie Bainbridge Cohen, movimentos organizam os padrões neurológicos basais – BNPs, dos quais participam os reflexos e princípios de movimentos filogenéticos (herdados das outras espécies) e com eles dão seguimento a padrões de desenvolvimento de movimento que dão sequência a geração de padrões de comportamento: toda a gama vem entremeada por transições ocorridas pelos sentidos, guiados sobremaneira pelo sentido cinestésico.
  • Movimentos participam assim da formação da cadeia de resignificação no organismo.
  • O corpo passou a ser incluído na organização e construção das primeiras inferências (LAKOFF & JOHNSON) através de suas relações e direções espaciais. Então, trama-se a construção metafórica da realidade, das metáforas de domínio-fonte, em ordens mais complexas de consciência, para as metáforas de domínio-alvo, segundo os autores.
  • Exploração e improvisação envolvem questões diretas do desejo, e põem em jogo conflitos inter-pessoais via marcadores somáticos (Damásio) em deslocamento de resignificações no campo da atuação.
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